Sobre

Pra não fugir da tradição de blogs, este primeiro post será uma breve introdução que explica o que e para quê existe essa entidade chamada “Sleepwalkers’ Maladies”. Há uma grande chance que você tenha caído neste blog por já fazer parte do grupo ou por ter contato com pessoas que fazem/fizeram. No caso de você ser um(a) insone acessando sites aleatórios que o Google te ofereceu, a bula do medicamento segue abaixo:

Em partes este blog é uma forma de unirmos registros passados sobre a banda/entidade chamada Sleepwalkers’ Maladies. Os detentores da senha deste blog (portanto, aqueles que publicaram anonimamente nele) são todos os membros envolvidos no Sleepwalkers’ Maladies desde 2001 que conseguimos achar por via de telefone e que ainda estão no circuito (isto é, vivos, o que não é caso de Wilson Nauphragia, o trompetista original da banda, que teve a negligência de falecer no ano de 2006 e a idéia disso ainda nos perturba).

O Sleepwalkers Maladies foi criado em 2001 na cidade de São José do Rio Preto, como um ateliér e como uma banda. O que aconteceu no lendário ateliér é desconhecido até então, sobretudo nos últimos anos obscuros que culminaram em seu fechamento e venda no ano de 2006, com a morte de seu curador Wilson Nauphragia. A idéia dessa ‘academia de artes e taxidermia‘ (subtítulo gravado na fachada do estabelecimento) ganhou espaço nos mexericos de donas de casa que lavam o calçada enquanto veiculam um subtexto acerca de tudo o que há de intrigante sobre a vida: era um ateliér fundado sobre um antigo frigorífico do bairro, o Frigorífico Tavares, um estranho estabelecimento herdado há 3 gerações pela família de Wilson Nauphragia, e que, no momento em que o Sleepwalkers surge, calhou em cair em suas mãos finalmente. De 2001 a 2002, só se via adolescentes de 14 anos trabalhar no lugar, durante períodos absurdamente largos de tempo (muitas vezes o lugar fechava somente às 2 horas da manhã, para voltar a abrir as portas às 6 horas da manhã, em ponto). Dezenas de pessoas se acotovelavam e gesticulavam vivamente por detrás do balcão, passando carnes e livros e conversando durante o dia inteiro sobre absolutamente qualquer coisa passível de ser transformadas em palavras. As carnes eram embrulhadas em páginas de revistas pornôs que estes mesmos adolescentes que trabalhavam no local mal teria idade para comprar na banca.

Enfim, como pode-se imaginar, em uma cidade relativamente pequena e respeitável do interior, este dado deixou de funcionar como má reputação e começou a atrair desde viciados em crack para o local (onde eles eram acolhidos e dormiam por dias) até homens e mulheres requintados interessados em fisgar algo bombástico e artsy acontecendo por aí, antes que se desvaneça ou penda para um academicismo bundão. Em uma ocasião engraçadíssima fomos visitados por uma classe do curso de artes de uma academia local, como se aquilo tivesse se tornado um museu. A partir daí começaram os eventos dentro do Frigorífico Tavares, eventos como “Exposição de coisas azuis de 1939″, “Dramatização de Canudos com manequins e arenque”. É um mistério o que a tal turma de artes plásticas aprendeu de fato com a visita (e eles tiveram que levar carne pra casa como forma de pagamento da visita, claro), mas nós aprendemos que coisas incrivelmente bizarras começam a acontecer quando você se pega sendo uma pessoa com um caso doentio de ansiedade relacionada a canalização de criatividade, e herdando um frigorífico do seu pai aos  16 anos.

Uma conversa, que eu, anônimo, presenciei entre Wilson e um indivíduo que entraria tanto na categoria já mencionada de viciado em crack frequentador do Frigorífico Tavares quanto na categoria de requintado interessado em algo, dizia:

“preciso mudar o que ouço. Pra ver que se muda o tipo de coisa que tá rolando na cabeça. Não sei se eu dou mais atenção pra música do que ela merece, e acho que ela muda mais a estrutura do nosso humor/atitude perante o mundo do que realmente muda. Mas ainda algo sugere que ela opera humor em um nível pré-conceitual e tem uma incidência violenta sobre nossa TPM”.

Em partes com isso começou o Sleepwalkers’ Maladies. Ela foi a banda que ensaiava e lançava e se tornou responsável  pelo som ambiente de tudo de demente que acontecia naquele local, sempre trazendo um idealismo [ilusório?] absurdo em si de que seja lá o que tocasse naquele local durante aquela noite, mudaria completamente o rumo das coisas. A orquestra, basicamente, regia o ritmo em que carnes seriam embrulhadas. A música passava a ditar os ritmos dos passos dados por cada um naquela massa de adolescentes insones, coordenar gestos, atiçar resoluções dramáticas, brigas, pedidos de casamento. A música “Guindastes de carne-moída” (do K7 “The Leather Hectorama”, de 2001) se tornou um hit por si só e passou a ser interpretada por vários grupos “itinerantes” que passavam por lá e aceitariam assumir o cargo de “criador de música ambiente”, praticamente o cargo mais cobiçado naquele local. Era virtualmente impossível definir quais eram os membros do Sleepwalkers’ Maladies daquela época; e muito do que definiu a forma em que a banda iria funcionar posteriormente foi decidido nessa época.

E a exposição de catálogo suculento de carne e arenque e defumados em geral era misturada com exposições de quadros, coleções de armas, manequins fingindo ser clientes, clientes fingindo ser manequins. Uma trombeta e um berrante, empunhadas por Wilson e Rafael Scandal, anunciava a venda bem-sucedida de nacos de carne bovina. A fama de antro de drogas, claro, logo se aliou àquele espaço e isso levou a uma inspeção duradoura no final do ano de 2002 que desativou temporariamente o local.

Entretanto, isso se reverteu em um período extremamente prolífico da banda, onde ela enfim poderia sair de sua posição fixa dentro do frigorífico e poderia assumiu diversas formas, ser perspassada por inúmeros membros que eram “convidados” a fazer da banda o que bem entendiam. Aqui abrimos um parênteses na história do Frigorífico Tavares para voltamos nosso enfoque no Sleepwalkers’ Maladies, banda que se derivou do lugar.

Por meados de 2006 a breve presença da banda no frigorífico e no ambiente desolado de São José do Rio Preto/SP já havia sido praticamente esquecida. O que ela herdou de todo aquele ambiente foi o questionamento da estrutura sob as quais a produção de músicas funciona, a questão da autoria, anonimidade do performer, da imagem do música e relação com a canção mesma e qualquer outra baboseira altamente conceitual que só consegue ser intitulada em um discurso através de metáforas escorregadias.

Eu tentarei explicar a essência da ‘banda’ agora que temos na manga a informação básica sobre sua gênese. Através dos anos o Sleepwalkers’ Maladies vem desenvolvendo um caráter mais aberto no que diz respeito a seu rol de membros: uma dúzia de pessoas vêm trabalhando sobre determinadas músicas/projetos internos, além de vídeos para, após um instante, desaparecer. A regra de funcionamento da banda é: produz-se 14 músicas, grava-se as mesmas, bate-se na porta de um desconhecido e faz-se uma proposta indecorosa de que este desconhecido ouça as 14 músicas produzidas e dê continuidade a seja lá o que a banda for se tornar. Em outras palavras, aquela banda cujas 14 músicas tocam em seu rádio no momento em que ele ouve essa proposta vira a sua banda. Isso permitiu que o grupo migrasse para vários países. Com a única condição de que ele continue a chamar a banda de “Sleepwalkers’ Maladies” (e várias fases da banda não obedeceram essa regra), grave suas 14 músicas conforme queira para então bater na casa de um estranho, oferecer-lha como holocausto aos novos proprietários do grupo. E assim por diante.

Essa idéia absurda, de alguma forma, funcionou. Após 9 anos de atividade, indivíduos como Jakob “Crisis” e Peter Frammer estão investindo em um trabalho de coleta das principais fases da banda para o lançamento de uma coletânea.

A fase neofolk do Sleepwalkers’ Maladies está sendo compilada em um lançamento (chamado “1250 ml”) marcado para 2010, publicado pelo selo brasileiro Ugra Press (www.ugrapress.wordpress.com). A maior parte das músicas que constam em nosso myspace, por esse motivo, farão parte dessa coletânea.

A fase atual da banda (composta por Jakob, Peter Frammer, Sasha, Eunuco Ohqubedec, Débora Negra e Joana) está trabalhando tanto em um álbum-vídeo de downtempo quanto em uma série de covers de bandas No-Wave/Folk/Experimental.

  • Lançamentos até então [considere que estamos restaurando material para aumentar essa lista em pelo menos 5 vezes até o ano que vem]

– “The Leather Hectorama” K7 (2001)
– “Outro” CD (2003)
-”1250 ml” CD (2010, para sair)
– “Johnny Covardia & the disposable heroes of hypocrisy” DVD (2010, para sair)

O que é realmente difícil para nós, compiladores das informações acerca desta banda, é imaginar como durante seus 9 anos de existência um grupo seleto de pessoas consegue se mover por tantos estilos e ainda manter uma consistência. Em partes, a iniciativa deste blog envolve em reunir a experiência individual de várias pessoas de várias fases da banda em um só local, para que a história dessa entidade mesma se torne inteligível para nós que participamos dela. Porque ela ainda não é.

Espero fazer upload de algumas músicas e shows da banda em breve. Nesse meio tempo estaremos atendendo pelo email SOUAFOBADINHO@ITAU.COM e fazendo back-up da internet.


Message from our sponsor

Você é louro? Então você está em perigo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s